Swansea, o primeiro galês a disputar a Premier League


Após vencer o Reading na final dos play-offs por 4x2, o Swansea tornou-se o primeiro time galês a conseguir uma vaga na Premier League.

Isso parecia impossível até alguns anos atrás, quando o time beirou a Conference e passou pelas mãos de vários proprietários, que sempre deixaram enormes dívidas e o pior, por diversas vezes os Swans estiveram muito próximos da falência.

Na temporada passada, sob o comando do português Paulo Sousa, a equipe quase conseguiu uma vaga nos play-offs, mas o que o presidente How Jenkins não esperava era um pedido de demissão do treinador, que foi para o Leicester.

Para seu lugar foi trazido o jovem norte-irlandês Brendan Rodgers que, segundo muitos, seria a última opção da equipe galesa. Ele veio de um insucesso enorme frente ao Reading, de onde foi demitido após apenas 6 meses de trabalho.

Mas também havia feito um grande trabalho com Watford, seu primeiro clube na carreira gerencial. Claramente influenciado por José Mourinho (com quem trabalhou) ele disse que se inspira também em Pep Guardiola e diz que, o período de trabalho com Mourinho o fez se "sentir em Harvard".

Um de seus jogadores, o espanhol Andrea Orlandi, disse que ao verem vídeos do Barcelona Rodgers os dizia o seguinte: "Estão vendo isso? Quero que façam o mesmo!"

Todo este entusiasmo do jovem treinador não foi em vão e, mesmo atuando em um tradicional 4-4-2 o Swansea tocava a bola com uma qualidade impressionante, fazendo questão de sempre pressionar o adversário e nunca jogar em contra-ataques.

Há de se dizer que a equipe do País de Gales enfrentou "altos e baixos" na temporada, assim como todas. Por vezes chegou à segunda colocação, mas não permanecia na mesma por mais do que duas rodadas. Isso fez com que um sentimento de desconfiança fosse gerado sobre esta equipe. Sentimento este que só foi se esgotando ao final da temporada, com a garantia de uma vaga nos play-offs.

Apesar de ser uma equipe bastante ofensiva, os Swans também se garantiram na defesa, sofrendo apenas 42 gols e tendo a segunda melhor defesa da temporada. Segundo o xerifão Ashley Williams, este fortalecimento deu-se depois da chegada de Rodgers, que queria um time mais agressivo defensivamente.

O meio-campo foi sem dúvida o setor de destaque no Swansea, contando com jogadores como Scott Sinclair, Leon Britton, Nathan Dyer, Joe Allen e Darren Pratley.

Sinclair, que não teve muito espaço no Chelsea, fez a melhor temporada de sua carreira, sendo o artilheiro do time, com 27 gols em todas as competições. Além disso, jogando como winger pelo lado esquerdo do campo era sempre um perigo para seus adversários.

O Reading que o diga, pois na final dos play-offs ele foi o autor de nada menos que um hat-trick. Aliás, Sinclair foi o primeiro a conseguir este feito desde Clive Mendonça pelo Charlton contra o Sunderland, em 1998.

Outro que mereceu destaque neste time foi o winger pelo lado direito Nathan Dyer. O jogador de 24 anos, oriundo da base do Southampton, foi outro que acumulou grandes atuações com esta equipe e, desde a chegada de Rodgers aprendeu algo que não sabia: marcar.

No centro de campo temos três jogadores a serem destacados. O primeiro é Joe Allen, que foi titular absoluto durante toda a temporada. Ele é um homem mais de marcação, contudo, ainda apoiava o ataque algumas vezes.

O segundo é Darren Pratley, vice-artilheiro do time com 12 gols, e que acabou perdendo espaço durante a temporada graças à más atuações. Mas vale destacar o gol que fez no South Wales derby (clássico disputado entre Cardiff x Swansea, maior derby galês) em pleno Cardiff City Stadium, que deu a vitória aos Swans. Outro belíssimo gol de Pratley na temporada foi nos play-offs, contra o Nottingham Forest: aproveitando que o goleiro Lee Camp foi para a área, ele chutou do meio-campo e marcou.

Conforme já foi dito, Pratley acabou perdendo a vaga no decorrer da temporada. Seu substituto foi Leon Britton, que marcou um golaço também contra o Nottingham Forest  nos play-offs. Assim como Pratley, Britton tinha mais liberdade na criação de jogadas e ao subir, fazia o time variar para um 4-1-3-2.

Apesar destes números tão interessantes dos jogadores, o ataque só passou a se destacar na reta final da temporada, com a chegada do italiano Fabio Borini (emprestado pelo Chelsea) que conseguiu marcar 6 gols. Antes disso, nomes como Luke Moore, Stephen Dobbie, Jason Scotland (que saiu no meio da temporada) e Tamas Priskin (que chegou por empréstimo do Ipswich) pouco apareceram.

O "fator casa" também acabou sendo decisivo na temporada, pois o time sofreu apenas 11 gols em 23 jogos atuando no Liberty Stadium, menos do que qualquer outra equipe da Championship.

Apesar de conseguir a vaga para a Premier League "apenas" nos play-offs, vale ressaltar que dentre os times que conseguiram o acesso, o Swansea tem o melhor elenco e, ainda por cima, contratou o artilheiro da segunda divisão Danny Graham (24 gols), vindo do Watford.

Outro nome que está vinculado é o do volante brasileiro Marcos Senna, do Villarreal. Mesmo com as saídas do grande goleiro Dorus De Vries (vendido ao Wolverhamtpon) e de Darren Pratley, este time tem condições de se manter na Premier League.

Gilmar Siqueira
terça-feira, 12 de julho de 2011 às 16:56

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