Apesar de temporada irregular, Rotherham retorna à League One

por Lucas Leite dia domingo, 9 de junho de 2013 às 00:09

Frecklington é abraçado após o gol do acesso (Reprodução/The Star)
Após seis anos na League Two, o torcedor do Rotherham pode, enfim, sorrir novamente. Com um dos melhores elencos da competição, os Millers sofreram mais do que deveriam, mas confirmaram o acesso após cinco vitórias nas últimas cinco rodadas.

Mais do que tudo, a promoção é vista como a volta por cima de um clube que viveu vários problemas financeiros nos últimos anos. A primeira dificuldade veio logo no início da temporada 2006/2007, em que o clube foi rebaixado à quarta divisão após iniciar o campeonato com -10 pontos. 

Em sérias dificuldades, a equipe foi vendida a Tony Stewart, que viu logo de cara que seu trabalho não seria fácil. Logo em sua primeira temporada na League Two, a equipe teve outros 10 pontos deduzidos durante a competição. Apesar do cenário negativo, os Millers estiveram muito próximos de garantir um lugar nos play-offs ainda em 2008, mas terminaram a temporada regular na nona colocação. 

No ano seguinte, o United novamente viu suas expectativas frustradas, após perder mais 17 pontos. Como se não bastasse, as dívidas obrigaram o Rotherham a trocar o Millmoor - estádio usado durante quase um século - pelo Don Valley, situado na cidade vizinha de Sheffield. 

O trabalho de Stewart à frente do Rotherham só começou a dar frutos em 2009/2010. Com o clube praticamente livre de problemas financeiros e um ataque comandado pelo ótimo Adam Le Fondre (que anotou 27 gols na temporada), os Millers terminaram a liga em quinto, mas caíram para o Dag & Red, de Paul Benson e Danny Green, na final dos playoffs. 

Três treinadores diferentes nas duas temporadas seguintes quebraram o ritmo da equipe, mas tudo mudaria com a chegada de Steve Evans. Responsável por promover o Crawley em duas ocasiões, o polêmico escocês foi contratado para substituir Andy Scott, mas, restando apenas cinco partidas para o fim do campeonato, não causou o impacto necessário para garantir o time nos playoffs.

No entanto, as coisas mudaram em 2012/2013, quando Evans teve liberdade para reformular sua equipe. Com 10 contratações no início da temporada, o treinador montou um elenco muito superior ao nível da divisão e que, na teoria, subiria sem dificuldades.

Entretanto, na prática, os Millers não apresentaram o futebol esperado. Apesar de estrear com o pé direito no recém-inaugurado New York Stadium, goleadas sofridas para Southend, Port Vale e Dag & Red fizeram com que o clube passasse os primeiros três meses da competição na metade da tabela.

Na segunda metade da temporada, o time seguia mostrando inconsistência. Se por um lado, a equipe mostrava força ao derrotar Northampton e Oxford, por outro, derrotas para o Barnet e o rival Chesterfield colocavam a campanha em xeque.

Tais tropeços fizeram com o que United visse sua vaga entre os sete primeiros ameaçadas pelo Exeter, do artilheiro Jamie Cureton. E foi justamente contra os Grecians que o Rotherham arrancou para a tão sonhada promoção. Após golear o Exeter por 4x1, os Millers arrancaram para uma série de cinco vitórias, saltando do quinto lugar para a vice liderança.

Daniel Nardiello, o homem do acesso

Com a saída de Adam Le Fondre para o Reading, em 2011, o Rotherham perdeu grande parte de sua força ofensiva. A lacuna só foi preenchida nessa temporada, com a contratação de Daniel Nardiello. Oriundo das categorias de base do Manchester United, o atacante marcou logo em sua estreia, contra o Burton, mostrando que seria importante ao longo da campanha. Com 20 gols anotados durante a League Two, Nardiello terminou muito a frente de Lee Frecklington, vice-artilheiro do time, com nove gols. 

Crystal Palace vence playoffs e retorna à Premier League

por Lucas Leite dia sexta-feira, 7 de junho de 2013 às 13:30

Mesmo negociado, Zaha foi decisivo na reta final (Reprodução/The Times)
*Por Peter Linhem 

O Palace terminou a Championship em quinto lugar após uma temporada de altos e baixos, em que eles precisaram do último jogo para garantir um lugar nos play-offs.

Nos playoffs, eles reencontraram seu arqui-rival Brighton nas semifinais, depois de vencer e perder por 3x0 durante a temporada regular.  Essa rivalidade é um tanto quanto ortodoxa, uma vez que eles não são da mesma cidade e tem outros clubes mais próximos. No entanto, algumas partidas controversas na década de 70 provocaram a rivalidade, que não diminuiu com o tempo.

Após vários anos em divisões diferentes, eles só voltaram a se enfrentar quando os Seagulls venceram a League One em 2010/2011 e logo depois do Crystal Palace contratar Glenn Murray por meio de uma transferência livre. Murray, que, com 22 gols, foi o vice artilheiro do Brighton na terceira divisão, mas que optou por não renovar seu contrato e acertar sua transferência ao Palace.

O Brighton chegou às semifinais com um pequeno favoritismo, por terminar o campeonato em quarto e ter a vantagem de jogar a partida de volta em seus domínios. O favoritismo aumentou logo no início do confronto, quando Murray foi substituído e, imediatamente descartado para a partida de volta, após sentir uma lesão no joelho. Como o jogo de ida terminou sem gols, o Brighton começaria a segunda partida com uma vantagem ainda maior.

Apesar de ser sempre mais perigoso e manter a posse de bola no AMEX Stadium, o Brighton não conseguiu vencer o bloqueio defensivo do Crystal Palace e viu o excelente Wilfried Zaha - já contratado pelo Manchester United – decidir a partida, com dois gols que garantiram a vaga em Wembley. 

Na final, o Crystal Palace chegou novamente com status de zebra diante de um Watford, que terminou a competição em terceiro e tinha uma equipe repleta de jogadores “selecionáveis”. 

Pode-se dizer que as equipes se diferenciavam pela experiência que o Palace tinha. No banco de reservas estava Ian Holloway, treinador que esteve em duas das últimas três finais de playoffs, além de Kevin Phillips. E no segundo tempo, Holloway mandou Phillips a campo, mas o experiente atacante só teve algum impacto na primeira meta da prorrogação (ou seja, tardiamente), quando Zaha foi derrubado na área e o árbitro marcou pênalti.

Prestes a completar 40 anos, Kevin Phillips foi para a bola e marcou. O Watford ainda teve a segunda metade do tempo extra para reagir, mas não chegou a ameaçar o Palace, que garantiu a promoção

Crystal Palace passou por momentos difíceis nos últimos anos. Após uma única temporada na Premier League, em 2004/2005 -quando Andrew Johnson foi seu principal jogador - eles foram incapazes de competir na Championship. Com dificuldades financeiras que significaram uma dedução de pontos, o Crystal Palace evitou o rebaixamento em 2009/2010 após um empate dramático contra o Sheffield Wednesday, na última rodada. Na temporada seguinte, quando o Brighton conquistou o título da League One, o Palace terminou em vigésimo, apenas seis pontos acima da zona de rebaixamento.

Então, a situação do Palace sofreu uma virada nas últimas temporadas, mas ninguém poderia ter previsto que isso seria tão rápido. Após terminar 2011/2012 em 17°, eu realmente pensava que eles lutariam contra o rebaixamento com a venda de Darren Ambrose para o Birmingham e a iminente saída de Wilfried Zaha. Parece estúpido para a retrospectiva, mas o Palace também tinha perdido o promissor lateral Nathaniel Clyne e Gleen Murray havia marcado apenas seis vezes durante sua primeira temporada pelos Eagles.

E eu não estava sozinho. Na prévia da Championship feita pelo Guardian, o torcedor que representava o Crystal Palace apostava que a equipe terminaria na metade de baixo da tabela, em 15°, além de mencionar que seria um progresso se eles pudessem passar longe da zona de rebaixamento.

Portanto, pode-se dizer que essa temporada veio do nada. Freedman era visto como um técnico decente que havia trabalhado apenas no Crystal Palace - da mesma forma que Alan Shearer no Newclastle - com a diferença que Freedman apenas lutou contra o rebaixamento.

O Crystal Palace, na verdade, começarou como esperado, com três derrotas consecutivas que os deixou na parte inferior da tabela, mas, em seguida, eles somaram 14 partidas sem perder, sendo 11 vitórias que os colocaram na parte de cima da tabela na metade de novembro. A campanha fez com que Freedman fosse visto como um técnico promissor e ele logo se juntou ao Bolton. Sem técnico, o Palace não demorou muito tempo para contratar Ian Hollway. Freedman deixou o clube no final de outubro, quando eles ocupavam o quarto lugar, e Holloway assumiu a tempo de ver a goleada por 5x0 sobre o Ipswich, que rendeu o primeiro lugar da competição.

Mas a sensação entre torcedores e especialistas é que Freedman foi o técnico mais bem-sucedido do campeonato. Basta comparar seu retrospecto com o de Holloway. Sob o comando de Freedman, o Palace venceu seis, empatou duas e perdeu apenas três partidas, enquanto Holloway ganhou apenas 11 de seus 32 jogos, tendo empatado 12 vezes e perdido nove. Mas o que as estatísticas não dizem é que o Palace não precisava vencer muitos jogos, mas sim manter um lugar na zona dos playoffs. É uma grande conquista ganhar os playoffs, mas o que será interessante ver o quanto a diretoria confiará em Ian Holloway se eles começarem mau a temporada ou como seria se eles não tivessem vencido a pós-temporada.

O que o futuro reserva para o Crystal Palace?

Esta é uma pergunta óbvia, mas muito difícil de ser respondida. O Crystal Palace não tinha o melhor elenco, nem sequer o quinto melhor da Championship, mas eles tiveram uma boa sequência no início e duas das principais estrelas da temporada (Murray e Zaha), juntamente com um goleiro confiável (Julian Speroni), um cão-de-guarda no meio campo (Mile Jedinak) e um winger habilidoso (Yannick Bolasie), que foram comprados a preço de banana e que ninguém esperava que fizessem muita diferença. Mas Jadinak mostrou um estilo parecido ao de Fellaini no meio campo do Palace, e Bolasie atuou como Zaha do outro lado do campo, sendo recompensado com um lugar no time da temporada. Um Zaha com menos físico e mais confiança em seus dribles.

O problema agora é que Zaha pertence ao Manchester United. Um novo empréstimo ao Crystal Palace na próxima temporada ainda não foi totalmente descartado, mas, caso isso não aconteça, eles terão uma grande lacuna para preencher. Bolasie é um substituto pronto, mas ele não deve ter tanto espaço se seus adversários não tiverem mais que se preocupar com Zaha na outra ala. Isso também significaria que os Eagles precisariam de um novo atacante para atuar com Bolasie ou eles continuariam jogando com meias centrais improvisados, como Jonathan Williams (apelidado de "Joniesta"), que é um jogador excelente, mas que não é um winger de origem. Com Glenn Murray provavelmente fora de toda a temporada, devido àquela lesão no joelho, significa que eles não tem um bom atacante e provavelmente precisarão ir às compras. Wilbraham mostrou pouco nos playoffs e Kevin Phillips, que fará 40 anos, está apenas emprestado pelo Blackpool. 

Eu não estou muito preocupado com o seu meio-campo, que é sólido, mas também ofensivo, principalmente com Owen Garvan, que atuou meia-atacante. O problema pode ser a falta de um playmaker, se eles não tiverem confiança em Williams, que tem capacidade para atacar e defender, apesar de seu porte físico frágil.

A preocupação maior pode ser a defesa, que tem alguns jogadores decentes, mas que provavelmente não são bons o suficiente e que não jogam juntos há muito tempo. Muitos deles provavelmente devem continuar, mas eles deveriam contratar no mínimo um zagueiro para comandar a defesa.

Eu também não acredito que o Crystal Palace vai se limitar a fugir do rebaixamento como previsto, porque até a quantidade de dinheiro recebida pelos menores clubes da Premier League é suficiente para fazer grandes transferências e, como o Southampton, eu espero que eles descubram algum jovem jogador em suas categorias de base. O problema é saber se eles serão cautelosos com os gastos, assim com o Reading ou o Blackpool dirigido por Holloway, pois aí eu não acho que eles terão muita chance, infelizmente. Afinal, eu sequer tinha certeza que eles poderiam sobreviver na Championship.

*Peter A. Linhem é sueco e tem enorme interesse por futebol inglês, especialmente pelas divisões da Football League. Visite o seu blog (em sueco) siga-o no twitter.

Após uma década na Football League, Yeovil ascende à segunda divisão

por Lucas Leite dia quinta-feira, 6 de junho de 2013 às 17:52

Johnson e Madden levaram o Yeovil a outro nível (Reprodução/BBC)
Antes do início da temporada, ninguém poderia imaginar que um dos menores clubes da League One encerraria maio comemorando uma inédita promoção à Championship. Único representante de uma cidade de 40 mil habitantes, os Glovers foram fundados em 1895, mas, apenas em 2003, conquistaram o acesso a uma divisão profissional da Inglaterra.

Assim como em 2012/2013, Gary Johnson foi o homem por trás da inédita promoção. Sob o comando do treinador, os Glovers conquistaram os títulos da Conference e da League Two, em um intervalo de apenas duas temporadas.

O excelente desempenho de Johnson à frente do Yeovil chamou a atenção do Bristol City, que pagou uma compensação financeira para contar com os trabalhos do treinador. Nos cinco anos em que esteve à frente dos Robins, Gary Johnson passou por altos e baixos. Em sua temporada mais notável, o treinador levou o Bristol ao sexto lugar da Championship, sendo derrotado na final dos playoffs pelo Hull City, de Dean Windass.

Nas temporadas seguintes, o comandante levou o Bristol a dois décimos lugares, antes de uma curta passagem pelo Peterborough e uma péssima campanha à frente do Northampton. Mas em 2012, após a demissão de Terry Skiverton, Johnson voltou a se reencontrar com o Town.

Assumindo a equipe na zona de rebaixamento, Johnson logo mostrou suas qualidades e, com 30 pontos em 19 partidas, evitou que os Glovers retornassem à quarta divisão. Mas o melhor ainda estava por vir.

Com um orçamento modesto e apenas 21 jogadores à disposição, Gary Johnson superou todas as expectativas, guiando o Yeovil ao quarto lugar da League One. Nos play-offs, o clube de Somerset passou pelo Sheffield United nas semi-finais, antes de derrotar o jovem time do Brentford, em Wembley.

Se Gary Johnson foi vital á beira do gramado, alguns jogadores também merecem destaque pela ótima temporada. Com 13 gols e 21 assistências durante a campanha, os meias centrais Ed Upson e Sam Foley impressionaram, assim como o jovem atacante Kevin Dawson, autor do gol que eliminou o Sheffield United na semi-final dos playoffs.

Entretanto, ninguém foi mais importante que Paddy Madden. Encostado no Carlisle, o irlandês chegou ao Yeovil por meio de uma transferência livre e logo em sua primeira temporada anotou incríveis 23 gols.

O que esperar do Yeovil na próxima temporada?

Se por um lado, o Yeovil não pode competir financeiramente com os grandes clubes da Championship, por outro, o olhar clínico de Gary Johnson pode ser um diferencial. Assim como o ex-técnico do Southampton, Nigel Adkins, Johnson consegue encontrar bons nomes em divisões inferiores e mercados esquecidos, como o irlandês. A permanência de Paddy Madden também é fundamental se o clube quiser algo além da permanência na segunda divisão.

Pope e o pequeno milagre de Vale Park

por Lucas Leite dia quarta-feira, 5 de junho de 2013 às 23:35

Tom Pope ganhou tudo o que tinha direito (Reprodução/This is Staffordshire)
Nove meses. De março a novembro - período em que esteve em administração - o Port Vale ficou impedido de negociar jogadores com outros clubes, além de sofrer uma dedução de 10 pontos em 2011/2012. As dificuldades financeiras, no entanto, não foram sentidas no gramado durante a última campanha. Apresentando um futebol vistoso na primeira metade da temporada, o Vale garantiu o acesso direto e retornou à League One, após cinco anos na divisão mais baixa da Football League.

É inevitável mencionar Tom Pope como principal responsável pela promoção dos Valliants. Melhor jogador e artilheiro da League Two, com 33 gols, o ex-atacante do Crewe deu provas de sua importância desde o início, como quando marcou quatro vezes na goleada sobre o Rotherham. Além dos inúmeros tentos, Pope ainda rendeu quando precisou sair da área, assistindo seus companheiros 12 vezes durante a competição.

Contratado na segunda metade da temporada, Lee Hughes também exerceu um papel importante no momento mais delicado da equipe. Quando Pope passou 11 jogos sem ir às redes, foi o experiente atacante quem assumiu a responsabilidade, marcando 10 gols em 18 jogos. Destaque para o hat-trick nos 7x1 sobre o Burton e gol de empate sobre o Wycombe, no jogo que confirmou o acesso direto do Vale.

O homem por trás da promoção

Após rescindir com o Port Vale para assumir o Sheffield United, em 2010, Micky Adams tinha tudo para ficar marcado negativamente pela torcida. Mas não foi isso que aconteceu. Demitido após o rebaixamento dos Blades, Adams retornou ao Vale disposto a terminar um "trabalho inacabado".

Mesmo prejudicado pela falta de recursos financeiros e uma dedução de 10 pontos, o treinador fez uma temporada consistente em 2011/2012 e, durante boa parte da temporada, lutou por um lugar na zona dos play-offs. O mérito de Adams  foi ainda maior nessa temporada, uma vez que, sem poder contratar, o treinador precisou achar substitutos dentro do elenco para repor as saídas de Lee Collins e do artilheiro Marc Richards. Não restam dúvidas que, sobre o comando de Micky Adams, o Port Vale tem tudo para fazer uma boa campanha na próxima temporada da League One.

Bradford coroa excelente temporada com o acesso à League One

por Lucas Leite dia terça-feira, 4 de junho de 2013 às 23:48

O acesso premiou o excelente trabalho de Phil Parkinson (Reprodução/Bet 365)
Após cinco anos e algumas temporadas medíocres na League Two, o Bradford enfim confirmou seu retorno à terceira divisão. Impulsionados pelo vice-campeonato da Capital One Cup, os Bantams arrancaram no segundo turno para garantir o sétimo lugar e a última vaga para os play-offs.

No mata-mata, os comandados de Phil Parkinson sofreram para passar pelo Burton, nas semi-finais, mas não encontraram nenhuma dificuldade diante do Northampton, em Wembley. Apresentando o melhor de seu futebol, o Bradford decidiu a partida em apenas 30 minutos, com gols dos fundamentais James Hanson, Rory McArdle e Nahki Wells.

No entanto, nem o mais otimista dos torcedores apostaria em resultados tão bons, antes do início da temporada. Depois de evitar o rebaixamento em 2011/2012, Phil Parkinson optou por fazer uma grande reformulação no elenco. Nomes familiares dos torcedores, como Michael Flynn e Lee Bullock foram dispensados, enquanto Gary Jones e Nathan Doyle lideraram a extensa lista de reforços.

Apesar da mudança drástica no plantel, o clube não demorou a colher frutos. Nos primeiros três meses da temporada, sete vitórias colocaram os Bantams na quinta colocação. Em paralelo à League Two, a equipe seguia viva na Copa da Liga, eliminando Notts County, Watford e Wigan.

Conforme a Copa da Liga ia se afunilando, maiores eram os desafios enfrentados. Com direito a grande atuação de Gary Jones, o Bradford controlou a partida contra o time completo do Arsenal, mas só garantiu a classificação nas cobranças de pênalti.

Nas semi-finais, foi a vez dos Bantams elimnarem o Aston Villa, com uma vitória por 3x1 em Valley Parade e uma derrota por 2x1 em Villa Park. A festa pela inédita classificação a uma final de Copa só não foi maior porque o Swansea não deu chances para o azar e goleou por 5x0 em Wembley.

Era natural que uma derrota tão pesada abalasse a confiança da equipe, mas não foi bem isso que aconteceu. Com apenas duas derrotas nas últimas 12 rodadas, o Bradford saltou do décimo-segundo para o sétimo lugar, antes de garantir o acesso via pós-temporada.

Elenco valioso; custo reduzido

A folha salarial de £7,5 mil por semana não foi um empecilho para que Phil Parkinson montasse uma equipe que cumprisse suas expectativas. O experiente Matt Duke foi um dos pilares na aventura pela Copa da Liga e fundamental durante a temporada da League Two. Excelente no ataque e na defesa, Stephen Darby também mostrou que tem condições de se manter na lateral direita para a próxima temporada. 

No entanto, nenhum setor é tão bem representado quanto a faixa central da defesa. Luke Oliver, James Meredith e Carl McHugh esbanjaram solidez quando foram exigidos, mas Rory McArdle é quem merece o maior destaque. As atuações sólidas e os gols importantes - como na vitória sobre o Aston Villa - renderam ao jovem zagueiro um lugar na seleção principal da Irlanda do Norte. 

No meio campo, Garry Thompson e Will Atkinson fizeram bem seus papéis pelos lados do campo, enquanto Gary Jones dominou a faixa central, mesmo no auge de seus 35 anos. Dono de uma técnica apurada, o capitão ditou o ritmo da equipe e contribuiu com 13 assistências e dois gols durante a campanha. 

Certamente, muitas dessas assistências foram distribuídas a James Hason e Nahki Wells. Após três anos trabalhando como empacotador em um supermercado e atuando por equipes amadoras, Hanson se transferiu ao Bradford em 2009, mas essa foi sem dúvida sua temporada de maior destaque. Com 15 gols anotados, o atacante terminou a temporada como vice-artilheiro, atrás apenas de Nahki Wells. 

Natural de Bermudas, Wells marcou nada mais, nada menos que 26 gols em sua segunda temporada como profissional. Muito além das bolas na rede, o atacante se mostrou versátil, podendo atuar tanto à frente do ataque, quanto pelos lados do meio campo.

O homem por trás da promoção

No Bradford desde 2011, Parkinson viu no Bradford a chance de recuperar sua carreira, após trabalhos fracos por Hull City e Charlton. Com um estilo de jogo muito parecido ao adotado pelo Swindon na temporada de acesso à League One, Parkinson formou uma equipe compacta e muito difícil de ser batida. O trabalho do ex-meia do Reading foi reconhecido também pela Football League, que o nomeou como melhor treinador da temporada.

League Two terá dois velhos conhecidos na próxima temporada

por Lucas Leite dia segunda-feira, 3 de junho de 2013 às 12:56

Após cinco anos, o Mansfield retorna à League Two (Reprodução/ITV)
A partir de hoje, o blog inicia uma série de postagens sobre os clubes que conseguiram acessos em suas respectivas divisões. Falaremos desde os times da Championship que irão à Premier League até os que entraram na Football League, passando pelos rebaixados da máxima divisão do futebol inglês. Os primeiros a serem analisados serão Mansfield e Newport, recém-chegados da quinta divisão. 

Após bater na trave, Mansfield mantém a base e se sagra campeão

Depois de ser eliminado pelo York na semi-final dos play-offs em 2011/2012, o Mansfield iniciou a última temporada de forma irregular, mas tudo mudou no início de 2013, após a derrota para o Liverpool, em jogo válido pela terceira fase da FA Cup. Apesar da eliminação - consumada com um gol polêmico de Luis Suarez - os Steads fizeram da boa atuação um combustível para sua arrancada na segunda metade do campeonato. Somando 20 vitórias nos 24 jogos seguintes, os comandados de Paul Cox saltaram da nona colocação para o primeiro lugar, que fora garantido apenas na última rodada, após uma vitória apertada sobre o Wrexham.

Além do treinador, no clube desde 2011, outros dois atletas merecem destaque na temporada de sucesso do Mansfield. Assistente técnico e capitão do time, Adam Murray perdeu a primeira parte da temporada devido a uma lesão, mas foi fundamental no returno. Formado pelo Derby, o experiente meia dominou a faixa central do campo com sua excelente visão de jogo e passes precisos.

Se Murray era a inspiração no meio campo, Matt Green foi o responsável por marcar os gols. Os 25 tentos anotados durante a competição fizeram com que o atacante conquistasse os prêmios de artilheiro e melhor jogador da Conference.

Por mais que o presidente do clube projete jogar a Championship em um futuro não muito distante, a permanência de suas estrelas é fundamental para que o Mansfield desempenhe um bom papel na League Two, após cinco anos longe da quarta divisão.

Newport confirma temporada bem-sucedida dos galeses na Inglaterra

A vitória sobre o Wrexham, na final dos play-offs, foi mais um degrau vencido no renascimento do Newport. Fundado em 1912, o Newport County não suportou, em 1989, o rebaixamento à quinta divisão do futebol inglês e acabou decretando falência. Mas o que parecia ser o fim para os Ironsides foi encarado como um novo começo. 

Refundado ainda no mesmo ano como Newport AFC, os galeses precisaram de 21 temporadas para saltar da nona divisão à Conference. Apesar de uma boa temporada de estreia na quinta divisão, o clube lutou para evitar o rebaixamento no ano seguinte. No entanto, as coisas mudaram drasticamente no início da última temporada, quando Les Scalding - que, em 2009, ganhou £45.5 milhões na loteria - assumiu a presidência do clube. 

O novo mandatário resolveu apostar na manutenção do técnico Justin Edinburgh, que devolveu a confiança em seu trabalho conquistando o acesso logo em sua primeira temporada completa. Com suporte financeiro necessário, o ex-zagueiro do Tottenham reformou completamente a equipe, tendo o sistema ofensivo como seu principal trunfo. Contratados por meio de transferências livres, Christian Jolley e Aaron O'Connor mostraram estar muita acima do nível do campeonato, anotando, juntos, 35 gols durante a temporada. O ala esquerdo Andy Sandell também merece destaque pelos oito gols marcados na quinta divisão. 

Com um dono ambicioso e a manutenção de suas principais peças, o Newport, assim como o Mansfield, tem tudo para fazer uma boa temporada no retorno à Football League. Ao menos, é o que os torcedores esperam há 24 anos. 

Ups and downs

por Lucas Leite dia segunda-feira, 27 de maio de 2013 às 18:18

Festa do Crystal Palace, após o retorno à Premier League (Reprodução/BBC)
Após dez meses e 1665 de partidas disputadas, as divisões inferiores da Inglaterra chegaram ao fim. Entre os principais momentos da temporada, pode-se destacar os surpreendentes acessos de Yeovil e Bournemouth, além das campanhas impecáveis de Cardiff, Bradford e Gillingham.

Entretanto, nem todos tiveram o que comemorar. Wolverhampton e Portsmouth amargaram um segundo rebaixamento consecutivo, enquanto o Barnet, de Edgar Davids, retornou à quinta divisão após sete anos na League Two. Confira, abaixo, todos os promovidos e rebaixados de cada divisão.

Championship

Promovidos: Cardiff, Hull City e Crystal Palace
Rebaixados: Peterborough, Wolverhampton e Bristol City

Time da temporada: David Marshall (Cardiff), Kieran Trippier (Burnley), Wes Morgan (Leicester), Mark Hudson (Cardiff), Wayne Bridge (Brighton), Wilfried Zaha (Crystal Palace), Thomas Ince (Blackpool), Peter Whittingham (Cardiff), Yannick Bolasie (Crystal Palace), Glenn Murray (Crystal Palace), Matej Vydra (Watford).

League One

Promovidos: Doncaster, Bournemouth e Yeovil
Rebaixados: Scunthorpe, Bury, Hartlepool e Portsmouth

Time da temporada: Wes Foderingham (Swindon), Simon Francis (Bournemouth), Robert Jones (Doncaster), Harry Maguire (Sheffield United), Charlie Daniels (Bournemouth), Matt Ritchie (Bournemouth), Luke Murphy (Crewe), Alan Judge (Notts County), David Cotterill (Doncaster), Patrick Madden (Yeovil), Leon Clarke (Coventry)

League Two

Promovidos: Gillingham, Rotherham, Port Vale e Bradford
Rebaixados: Barnet e Aldershot

Time da temporada: Stuart Nelson (Gillingham), Sean Clohessy (Southend), Adam Barrett (Gillingham), Ryan Cresswell (Southend), Joseph Martin (Gillingham), Jacques Maghoma (Burton), Marlon Pack (Cheltenham), Gary Jones (Bradford), Jennison Myrie-Williams (Port Vale), Tom Pope (Port Vale), Jamie Cureton (Exeter).

*O blog promete analisar, um a um, todos os promovidos nas próximas semanas.

Quem são os melhores jogadores da temporada?

por Lucas Leite dia segunda-feira, 25 de março de 2013 às 17:35

A juventude prevaleceu na eleição da Football League
Em cerimônia realizada na noite do último domingo, a Football League elegeu os destaques da temporada. Entres as principais premiações, foram eleitos os principais destaques de cada divisão, além do melhor jogador jovem de 2012/2013. O blog apresenta os vencedores.

Na League Two, o título de melhor jogador da competição coube ao artilheiro da competição. Mesmo há 11 jogos sem marcar, Tom Pope, do Port Vale, venceu a disputa contra os experientes Jamie Cureton, do Exeter, e Gary Jones, do Bradford. O ex-jogador do Rotherham soma impressionantes 27 gols na temporada, sendo cinco contra seu ex-clube.

Eleito o destaque da League Two em 2011/2012, Matt Ritchie desbancou Alan Judge, do Notts County, e Leon Clarke, do Coventry, para levar o premio de melhor jogador da League One. Apesar de ainda não ter engrenado no Bournemouth, o winger foi um dos pilares do Swindon de Paolo Di Canio no primeiro semestre, contribuindo com nove gols e dez assistências.

Ao contrário das outras divisões, a Championship teve um vencedor estrangeiro nessa temporada. Contratado por empréstimo junto à Udinese, Matej Vydra mostrou que seria importante desde o início, marcando cinco gols em seus primeiros três meses. Formando uma dupla mortal ao lado de Troy Deeney, o tcheco é responsável por 20 gols e cinco assistências ao longo da segunda divisão.

Da Championship também vem o melhor jogador jovem do ano. Com 18 gols e dez assistências, Tom Ince venceu as constantes trocas de comando no Blackpool e a concorrência de Vydra e Wilfried Zaha, que tentava o bi-campeonato pelo Crystal Palace.

De zero a dez: o resumo do fim de semana da Football League

por Lucas Leite dia terça-feira, 5 de março de 2013 às 15:43

Após uma pausa forçada, o "De zero a dez" retorna trazendo o que de melhor e pior aconteceu nas rodadas do último fim de semana da Football League. Confira abaixo.

Nota 0 - York City. Os Minstermen chegaram ao 11° jogo sem vitória, após perder para o Bradford. A péssima sequência custou o emprego do técnico Gary Mills.

Nota 1 - Bournemouth. Após 21 jogos de invencibilidade na League One, os Cherries perderam a quarta partida seguida e despencaram para a sétima posição.

Nota 2 - Stevenage. Tido como candidato aos play-offs até a primeira metade da temporada, o Boro recebeu o Colchester e acumulou sua sexta derrota consecutiva. Os comandados de Gary Smith somaram apenas seis dos últimos 39 pontos disputados.

Nota 3 - Burton. Após a surpreendente derrota para o Bristol Rovers, os Brewers viram a diferença para o vice-líder Port Vale aumentar para quatro pontos e a vantagem sobre Exeter, Northampton e Cheltenham cair para apenas um.

Nota 4 - Wolverhampton. O gol de Bakary Sako, aos 47 do segundo tempo, impediu a derrota para o Watford, mas não evitou que a sequência sem vitórias dos Lobos aumentasse para 13 jogos.

Nota 5 - Portsmouth. A vitória sobre o Crewe foi a primeira do Pompey - que segue na zona de rebaixamento da League One - em 24 jogos.

Nota 6 - Bristol City. O empate sem gols contra o Blackpool não bastou para deixar a lanterna da Championship, mas a melhora desde a chegada de Sean O'Driscoll é visível. Sob o comando do treinador, os Robins somaram 13 pontos em nove jogos.

Nota 7 - Sheffield United, que manteve a vice-liderança da League One, após somar seu quinto clean sheet consecutivo.

Nota 8 - Dwight Gayle. Grande contratação do Peterborough na temporada, o atacante anotou um hat-trick na vitória por 3x2 sobre o Blackburn.

Nota 9 - Craig Dawson. Autor de quatro gols em três jogos, o zagueiro assegurou mais uma vitória ao Bolton, que vem crescendo na Championship.

Nota 10 - Hull City. Com show da dupla George Boyd e Mohamed Gedo, os Tigers golearam o Birmingham e recuperaram a vice-liderança da Championship.

O preço do sucesso

por Lucas Leite dia sexta-feira, 1 de março de 2013 às 22:02

No último domingo, o Swansea venceu sem dificuldades o Bradford e conquistou o primeiro grande título de sua história. Menos de uma semana depois, Vincent Tan revelou que considera a possibilidade de mudar o nome do Cardiff City para Cardiff Dragons, caso a promoção para a Premier League seja confirmada.

A distancia é maior do que parece
A medida especulada pelo dono malaio daria sequência ao rebranding iniciado no início da temporada com a troca do escudo e a mudança das cores do primeiro uniforme do clube, de azul para vermelho.

Apesar da revolta de uma parte dos torcedores, as dívidas astronômicas e a promessa de rios de dinheiro fizeram com que a maioria se conformasse com a mudança. Uma alteração no nome, entretanto, seria um passo muito longo a ser dado.

Caso confirme o acesso para a Premier League, os olhos do mundo estarão voltados ao clube que, se mudar de nome, perderá a identidade no melhor momento de sua história.

Há nove anos, Huw Jenkins assumiu a presidência do Swansea e, com uma administração impecável, fez com que o clube saltasse da quarta para a primeira divisão. Antes que seja tarde, os proprietários estrangeiros do Cardiff deveriam olhar para o maior rival e entender que é possível prosperar respeitando os torcedores e as tradições do clube.